ITUB4: Itaú Unibanco é uma boa ação para investir em 2026?

ITUB4: Itaú Unibanco é uma boa ação para investir em 2026?

O Itaú Unibanco (ITUB4) está entre as ações mais conhecidas da Bolsa brasileira e costuma despertar o interesse de investidores que procuram empresas sólidas, geração recorrente de lucros e distribuição de proventos.

Mas uma pergunta é fundamental antes de investir: uma empresa de alta qualidade também pode estar cara demais?

Neste artigo, vamos analisar o ITUB4, seus principais fundamentos, a qualidade da carteira de crédito, os fatores macroeconômicos que podem afetar o banco e algumas referências para avaliar o preço da ação.

O que é o Itaú Unibanco?

O Itaú Unibanco é uma das maiores instituições financeiras da América Latina. O banco surgiu da união entre Itaú e Unibanco, anunciada em 2008, e construiu ao longo dos anos uma operação diversificada em serviços bancários, crédito, investimentos, seguros e outros produtos financeiros.

Segundo os dados divulgados pelo próprio banco, o Itaú encerrou o segundo trimestre de 2026 com cerca de R$ 3,23 trilhões em ativos totais e uma carteira de crédito de aproximadamente R$ 1,52 trilhão.

No mesmo trimestre, o resultado recorrente gerencial alcançou R$ 12,4 bilhões, enquanto o ROE recorrente ficou em 24,3%.

Esses números ajudam a explicar por que o Itaú é frequentemente considerado uma das empresas de maior qualidade do setor financeiro brasileiro.

ITUB4 e o crescimento dos lucros

Para um investidor de longo prazo, observar apenas o preço da ação pode ser um erro.

O mais importante é entender se a empresa consegue aumentar seus resultados ao longo do tempo.

No segundo trimestre de 2026, o Itaú apresentou crescimento de 7,8% no resultado recorrente em relação ao mesmo período de 2025. No primeiro semestre, o resultado recorrente chegou a R$ 24,7 bilhões, crescimento de 9,1% na comparação anual.

Isso mostra uma característica importante do Itaú: a capacidade de gerar lucros elevados mesmo em um ambiente econômico que ainda apresenta juros altos e desafios macroeconômicos.

ROE: um dos principais indicadores para analisar bancos

O ROE, ou retorno sobre o patrimônio líquido, é provavelmente um dos indicadores mais importantes para quem analisa uma instituição financeira.

No 2T26, o Itaú apresentou ROE recorrente de 24,3%.

Em termos simples, o indicador mostra quanto lucro o banco consegue gerar em relação ao patrimônio utilizado na operação.

Um ROE elevado ajuda a explicar por que investidores podem aceitar pagar um preço superior ao valor patrimonial por uma ação bancária.

Por isso, não faz sentido olhar apenas para o P/VP. É necessário analisar conjuntamente P/VP e ROE.

Inadimplência: um indicador que merece atenção

Bancos ganham dinheiro emprestando recursos, mas também assumem o risco de que parte desses empréstimos não seja paga.

Por isso, a inadimplência é um dos indicadores que o investidor precisa acompanhar regularmente.

No segundo trimestre de 2026, o índice de inadimplência acima de 90 dias do Itaú ficou em 1,9%, mantendo-se no mesmo nível observado no trimestre anterior e no segundo trimestre de 2025.

A estabilidade desse indicador é positiva porque mostra que o crescimento da carteira de crédito não veio acompanhado, até aquele momento, de uma deterioração significativa da qualidade da carteira.

Carteira de crédito

Outro ponto importante é o crescimento da carteira.

No final de junho de 2026, as operações de crédito, considerando também garantias financeiras prestadas e títulos privados conforme a metodologia divulgada pelo banco, alcançaram aproximadamente R$ 1,52 trilhão.

O crescimento do crédito pode favorecer o banco porque aumenta a possibilidade de geração de receitas financeiras.

Por outro lado, crescimento excessivamente rápido pode aumentar os riscos. Por isso, o investidor deve observar sempre a relação entre crescimento da carteira, inadimplência e provisões para perdas de crédito.

P/VP: quanto o mercado paga pelo patrimônio?

O P/VP, ou preço sobre valor patrimonial, é particularmente relevante para bancos.

O indicador mostra quanto o mercado está pagando em relação ao patrimônio líquido por ação.

Entretanto, um P/VP elevado não significa automaticamente que ITUB4 esteja cara.

Se uma instituição consegue gerar ROE elevado de maneira consistente, o mercado pode aceitar pagar mais de uma vez o seu patrimônio.

A questão correta é:

O preço pago pelo Itaú é compatível com sua capacidade de gerar lucros no futuro?

Essa é uma pergunta mais importante do que simplesmente procurar o menor P/VP entre os bancos.

P/L e valuation

O P/L, ou preço sobre lucro, também pode ajudar a avaliar ITUB4.

Esse múltiplo indica quantas vezes o lucro anual está sendo pago pelo investidor no preço da ação.

Mas nenhum indicador deve ser utilizado isoladamente.

Uma análise mais completa deve considerar:

  • P/L;
  • P/VP;
  • crescimento dos lucros;
  • ROE;
  • dividendos;
  • qualidade da carteira de crédito;
  • inadimplência;
  • eficiência operacional;
  • capital regulatório;
  • perspectivas para a economia.

Dividendos e JCP

O Itaú possui histórico de distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio.

Segundo a área de Relações com Investidores, o banco realiza pagamentos mensais de juros sobre capital próprio e também pode realizar distribuições adicionais.

Para o investidor que busca renda, isso é um aspecto interessante.

Entretanto, é importante lembrar que dividendos não são garantidos. O valor distribuído depende dos resultados, das decisões da companhia e das condições regulatórias e financeiras.

Portanto, não é recomendável comprar ITUB4 simplesmente porque o Dividend Yield parece elevado em determinado momento.

Por que EV/EBITDA não é tão importante para ITUB4?

Quem está acostumado a analisar empresas industriais pode procurar indicadores como EV/EBITDA, margem EBITDA e dívida líquida.

No caso de bancos, porém, esses indicadores precisam ser tratados com bastante cautela.

Captação, depósitos e operações financeiras fazem parte da própria atividade bancária. Por isso, indicadores tradicionalmente utilizados para empresas não financeiras podem perder significado quando aplicados a bancos.

Para ITUB4, eu daria muito mais importância a ROE, P/VP, lucro, margem financeira, inadimplência, custo do crédito, eficiência, capital e liquidez.

Fatores macroeconômicos que podem afetar ITUB4

O desempenho do Itaú também depende do ambiente econômico brasileiro.

Entre os principais fatores estão:

Taxa Selic: influencia o custo do dinheiro, o crédito e os resultados financeiros.

Inflação: inflação elevada pode pressionar o orçamento das famílias e aumentar os riscos de crédito.

PIB: crescimento econômico tende a favorecer a demanda por crédito e serviços financeiros.

Desemprego e renda: uma economia com emprego e renda mais fortes tende a apresentar melhor capacidade de pagamento.

Inadimplência: uma deterioração da capacidade de pagamento pode elevar as despesas com provisões.

Política fiscal: mudanças nas contas públicas podem afetar juros, inflação, câmbio e percepção de risco.

Dólar: oscilações cambiais podem influenciar inflação e condições financeiras.

O próprio Itaú BBA, em suas projeções econômicas atualizadas em julho de 2026, trabalhava com PIB brasileiro de 1,9% em 2026, IPCA de 5,1% e Selic de 13,75% no final do ano. São projeções e podem mudar ao longo do tempo.

Capital e segurança financeira

Outro ponto que merece atenção é o capital regulatório.

No segundo trimestre de 2026, o Itaú apresentou Índice de Basileia de 15,4%, enquanto o Capital Principal ficou em 12,3%. O índice de liquidez de curto prazo, conhecido como LCR, estava em 202%.

Esses indicadores ajudam o investidor a avaliar a capacidade financeira do banco e sua margem de segurança diante de eventuais perdas.

ITUB4 está barata, razoável ou cara?

Essa é provavelmente a pergunta que mais interessa ao investidor.

Não existe um preço universalmente correto para uma ação. O valor considerado justo depende das expectativas de crescimento dos lucros, rentabilidade, riscos e custo de capital.

Para uma análise educacional, uma forma simples de trabalhar com ITUB4 é estabelecer faixas de preço e atualizá-las sempre que os fundamentos mudarem.

Uma referência utilizada nesta análise seria:

Abaixo de R$ 38: região potencialmente barata, desde que os fundamentos permaneçam sólidos.

Entre R$ 38 e R$ 46: região razoável, na qual o investidor deve avaliar o potencial de crescimento e o retorno esperado.

Acima de R$ 46: região que começaria a exigir maior cautela, podendo ser considerada cara caso o crescimento dos lucros não acompanhe a valorização.

Essas faixas são referências educacionais, não recomendações de compra ou venda. O preço justo precisa ser recalculado conforme novos balanços, mudanças na Selic, crescimento dos lucros e alterações nas perspectivas econômicas.

Afinal, vale a pena investir em ITUB4?

O Itaú reúne várias características que podem interessar ao investidor de longo prazo: grande escala, elevada rentabilidade, forte geração de resultados, ampla carteira de clientes, capacidade de distribuição de proventos e indicadores de crédito que permaneciam controlados no 2T26.

Ao mesmo tempo, a ação não deve ser analisada apenas pela qualidade da empresa.

Uma excelente empresa pode ser um investimento ruim quando comprada por um preço excessivamente elevado.

Por isso, a análise de ITUB4 deve combinar qualidade empresarial e valuation.

Para quem acompanha o Itaú, os indicadores que eu consideraria prioritários são ROE, P/VP, crescimento do lucro, inadimplência, custo do crédito, carteira de crédito, eficiência, índice de Basileia e distribuição de proventos.

Conclusão

ITUB4 representa uma das principais alternativas para quem deseja exposição ao setor bancário brasileiro.

Os resultados recentes mostram uma instituição com ROE elevado, lucro recorrente forte, carteira de crédito superior a R$ 1,5 trilhão e inadimplência de 1,9%.

Mas o investidor precisa separar duas perguntas:

“O Itaú é uma boa empresa?”

E:

“ITUB4 está sendo negociada a um preço interessante?”

A primeira pergunta parece ter uma resposta bastante favorável diante dos resultados atuais. A segunda exige acompanhar continuamente o valuation e os fundamentos.

Este artigo tem finalidade exclusivamente educacional e informativa. Não constitui recomendação individual de compra ou venda de ações. Antes de investir, considere seu perfil de risco, horizonte de investimento e necessidade de diversificação.

Conteúdo atualizado com informações disponíveis até agosto de 2026. Os indicadores e preços de mercado podem mudar diariamente.

andrevilabrisa@gmail.com

Assessor de Investimentos, sócio da Octo Capital, credenciado ao banco BTG Pactual

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