Banco do Brasil (BBAS3): a ação está barata? Uma análise fundamentalista em 2026

Banco do Brasil (BBAS3): a ação está barata? Uma análise fundamentalista em 2026

Introdução

O Banco do Brasil (BBAS3) é uma das instituições financeiras mais tradicionais do mercado brasileiro e também uma das maiores empresas listadas na B3. Por isso, suas ações costumam despertar o interesse de investidores que procuram empresas consolidadas, exposição ao setor financeiro e potencial de distribuição de resultados aos acionistas.

Mas uma pergunta importante permanece: BBAS3 está realmente barata ou o desconto observado pelo mercado reflete riscos relevantes?

A resposta exige mais do que observar apenas o preço da ação. Para avaliar um banco, é necessário analisar indicadores como lucro líquido, retorno sobre o patrimônio, qualidade da carteira de crédito, inadimplência, valuation e cenário econômico.

Este artigo apresenta uma análise educacional desses fatores com base nas informações mais recentes disponíveis para o segundo trimestre de 2026.

Aviso: este conteúdo possui finalidade exclusivamente educacional e informativa. Não constitui recomendação de compra ou venda de ações. O investimento em renda variável envolve riscos, e cada investidor deve avaliar sua situação financeira e seu perfil de risco.

1. O que é o Banco do Brasil?

O Banco do Brasil é uma instituição financeira de grande porte, com atuação em segmentos como crédito, serviços bancários, investimentos, seguros e financiamento do agronegócio.

A companhia possui ações ordinárias negociadas na B3 sob o código BBAS3.

Para investidores interessados em acompanhar os resultados diretamente da fonte, o Banco do Brasil mantém uma área de Relações com Investidores com informações financeiras, comunicados ao mercado, histórico de remuneração aos acionistas e outros documentos corporativos.

2. Como foi o resultado do Banco do Brasil no 2T26?

No segundo trimestre de 2026, o Banco do Brasil apresentou lucro líquido ajustado de aproximadamente R$ 3,9 bilhões.

O resultado representou crescimento em relação ao mesmo período do ano anterior e avanço em relação ao primeiro trimestre de 2026. A margem financeira bruta chegou a aproximadamente R$ 27,5 bilhões, enquanto a carteira de crédito expandida ultrapassou R$ 1,3 trilhão.

No primeiro semestre de 2026, o lucro líquido ajustado acumulado chegou a aproximadamente R$ 7,3 bilhões.

Esses números mostram que o banco continua altamente lucrativo, mas não contam toda a história.

O principal ponto de atenção está na qualidade da carteira de crédito.

3. Inadimplência é o principal risco para BBAS3

Um dos indicadores mais importantes para analisar um banco é a inadimplência.

No segundo trimestre de 2026, a inadimplência acima de 90 dias do Banco do Brasil chegou a 5,61%. No agronegócio, o índice ficou em aproximadamente 6,27%, enquanto a inadimplência entre pessoas físicas também permaneceu elevada.

Esse cenário ajuda a explicar por que uma ação pode apresentar múltiplos aparentemente baixos e, ainda assim, não ser considerada uma oportunidade óbvia.

Quando a inadimplência aumenta, o banco normalmente precisa elevar suas provisões para possíveis perdas de crédito. Isso pode reduzir o lucro e, consequentemente, o retorno sobre o patrimônio.

Por isso, quem acompanha BBAS3 deve observar não apenas o lucro divulgado, mas também a qualidade desse lucro e a evolução das provisões.

4. O agronegócio merece atenção especial

O agronegócio é particularmente importante para o Banco do Brasil.

Em junho de 2026, a carteira de crédito relacionada ao agronegócio estava em aproximadamente R$ 421,6 bilhões, com inadimplência de cerca de 6,27%.

Problemas climáticos, perdas de produção, preços das commodities, endividamento dos produtores e renegociações de dívidas podem afetar o resultado do banco.

O mercado também acompanha as medidas governamentais destinadas à renegociação de dívidas rurais, pois elas podem influenciar a velocidade de recuperação de créditos e o nível futuro das provisões.

Isso significa que o desempenho de BBAS3 não depende apenas da gestão do banco. Também existe uma forte influência de fatores macroeconômicos e das condições do setor agrícola brasileiro.

5. ROE: um indicador essencial para avaliar bancos

O ROE, ou retorno sobre o patrimônio líquido, mostra quanto lucro uma empresa consegue gerar em relação ao capital próprio.

Para bancos, esse indicador é especialmente importante.

No segundo trimestre de 2026, o Banco do Brasil apresentou retorno sobre o patrimônio líquido de aproximadamente 8,3%.

O número representa uma recuperação em relação aos períodos anteriores, mas ainda está abaixo dos níveis de rentabilidade apresentados por alguns dos principais concorrentes privados brasileiros.

Isso ajuda a explicar parte do desconto atribuído às ações do Banco do Brasil.

Um banco negociado a um P/VP baixo pode ser uma oportunidade quando possui capacidade de gerar retornos elevados sobre seu patrimônio. Porém, quando o ROE está baixo, o mercado pode estar sinalizando que aquele patrimônio não está sendo utilizado para gerar lucros suficientemente altos.

6. P/L e P/VP: BBAS3 parece barata?

Do ponto de vista de valuation, BBAS3 chama atenção.

O P/L, que relaciona o preço da ação ao lucro por ação, estava na região de 9 vezes nas informações consultadas.

O P/VP, que compara o valor de mercado com o patrimônio líquido, estava próximo de 0,6 vez.

Um P/VP abaixo de 1 significa que o mercado está atribuindo às ações um valor inferior ao patrimônio contábil por ação.

Isso pode representar uma oportunidade, mas não deve ser interpretado isoladamente.

Para um banco, uma combinação como:

P/VP baixo + ROE elevado

pode ser bastante interessante.

Já:

P/VP baixo + ROE baixo + inadimplência elevada

exige uma investigação muito maior.

No caso do Banco do Brasil, estamos mais próximos da segunda situação neste momento.

7. EBITDA é importante para BBAS3?

Não.

Esse é um ponto que pode gerar confusão para investidores que utilizam a mesma metodologia para empresas de diferentes setores.

O EBITDA é bastante utilizado na análise de empresas industriais, comerciais e de serviços. Para bancos, porém, ele não é uma das métricas mais adequadas.

Isso ocorre porque juros, receitas financeiras e despesas financeiras fazem parte do próprio funcionamento da instituição financeira.

Para avaliar BBAS3, é mais interessante acompanhar:

  • lucro líquido;
  • ROE;
  • margem financeira;
  • custo de crédito;
  • provisões;
  • inadimplência;
  • carteira de crédito;
  • índice de eficiência;
  • capital regulatório;
  • P/L;
  • P/VP;
  • distribuição de dividendos e JCP.

8. E o fluxo de caixa operacional?

O fluxo de caixa operacional também precisa ser interpretado de maneira diferente quando analisamos um banco.

Em empresas tradicionais, o fluxo de caixa operacional é uma ferramenta importante para verificar a capacidade de transformar lucro em geração de caixa.

Nos bancos, porém, movimentações relacionadas a depósitos, concessão de crédito e outras operações financeiras podem produzir grandes variações de caixa que não possuem a mesma interpretação encontrada em uma indústria ou empresa de serviços.

Por isso, para BBAS3, o investidor deveria dar maior peso à qualidade dos ativos, rentabilidade, capital, inadimplência e capacidade de geração de resultados.

9. Cinco fatores para acompanhar antes de investir em BBAS3

Para uma análise fundamentalista simples, podemos resumir a avaliação do Banco do Brasil em cinco fatores.

1. Lucro

O lucro deve apresentar capacidade de recuperação e crescimento ao longo do tempo.

2. ROE

O banco precisa demonstrar capacidade de gerar retorno adequado sobre seu patrimônio.

3. Inadimplência

A evolução da inadimplência é fundamental para entender o risco da carteira.

4. Valuation

P/L e P/VP ajudam a determinar se o preço pago pelo investidor parece razoável em relação aos resultados e ao patrimônio.

5. Cenário macroeconômico e agronegócio

Juros, atividade econômica, emprego, inflação, condições climáticas e situação financeira dos produtores rurais podem afetar diretamente os resultados.

10. Afinal, BBAS3 está barata?

A resposta depende do horizonte e das premissas do investidor.

Pelos múltiplos de valuation, BBAS3 parece descontada, principalmente quando observamos o P/VP próximo de 0,6 vez.

Entretanto, existe uma razão para esse desconto.

O banco enfrenta uma fase de maior pressão sobre a qualidade da carteira de crédito, especialmente no agronegócio, enquanto o ROE ainda está abaixo do que seria desejável para justificar uma valorização maior do múltiplo.

O segundo trimestre de 2026 apresentou sinais positivos, com lucro ajustado de R$ 3,9 bilhões e ROE de 8,3%, mas a inadimplência continua sendo um dos principais obstáculos para uma recuperação mais forte da rentabilidade.

Portanto, uma possível tese de investimento em BBAS3 depende menos de simplesmente perguntar “a ação está barata?” e mais de perguntar:

“O Banco do Brasil conseguirá recuperar sua rentabilidade e reduzir o custo do crédito?”

Se a resposta for positiva, o desconto atual pode se tornar uma oportunidade interessante.

Se a deterioração da carteira continuar, a ação pode permanecer barata por um período prolongado.

Conclusão

O Banco do Brasil apresenta características que podem atrair investidores fundamentalistas: grande escala, forte presença no mercado brasileiro, patrimônio elevado e múltiplos de valuation relativamente baixos.

Ao mesmo tempo, existem riscos que não devem ser ignorados.

O principal deles é a qualidade da carteira de crédito, especialmente a exposição ao agronegócio. A inadimplência elevada pode aumentar as provisões e limitar a recuperação do ROE.

Por isso, BBAS3 pode ser considerada uma ação de valuation interessante, mas que exige acompanhamento dos indicadores de crédito e rentabilidade.

Para o investidor de longo prazo, os próximos resultados serão importantes para verificar se a recuperação observada no segundo trimestre de 2026 representa o início de uma tendência ou apenas uma melhora pontual.

As informações trimestrais oficiais do segundo trimestre de 2026 estão disponíveis na área de Relações com Investidores do Banco do Brasil.


Banco do Brasil (BBAS3): Is the Stock Cheap? A Fundamental Analysis in 2026

Introduction

Banco do Brasil (BBAS3) is one of Brazil’s largest and oldest financial institutions and one of the major banking companies listed on B3, Brazil’s stock exchange.

Because of its size, market presence and exposure to Brazil’s financial system, the stock is frequently monitored by investors looking for established companies and potential shareholder returns.

But an important question remains:

Is BBAS3 actually cheap, or is the market discount reflecting significant risks?

Answering that question requires more than simply looking at the share price. Bank analysis should consider net income, return on equity, credit quality, delinquency, valuation and the broader economic environment.

This article provides an educational analysis based on the latest information available for the second quarter of 2026.

Disclaimer: This article is provided for educational and informational purposes only. It does not constitute investment advice or a recommendation to buy or sell securities. Investing in stocks involves risk, and investors should consider their own financial situation and risk tolerance.

1. What is Banco do Brasil?

Banco do Brasil is a major Brazilian financial institution with operations covering banking services, lending, investments, insurance and agricultural financing.

Its common shares trade on B3 under the ticker BBAS3.

The bank maintains an Investor Relations website where investors can access financial statements, market announcements, shareholder remuneration information and other corporate documents.

2. How did Banco do Brasil perform in 2Q26?

In the second quarter of 2026, Banco do Brasil reported adjusted net income of approximately R$3.9 billion.

The result increased compared with the same period of the previous year and also improved compared with the first quarter of 2026. Gross financial margin reached approximately R$27.5 billion, while the expanded loan portfolio surpassed R$1.3 trillion.

Adjusted net income for the first half of 2026 reached approximately R$7.3 billion.

These figures demonstrate that the bank remains highly profitable. However, they do not tell the whole story.

The main concern is credit quality.

3. Delinquency is a key risk

One of the most important indicators for bank investors is loan delinquency.

In the second quarter of 2026, Banco do Brasil’s non-performing loan ratio above 90 days reached 5.61%. In agricultural lending, the ratio was approximately 6.27%. Delinquency among individuals also remained elevated.

This helps explain why a stock can trade at apparently low valuation multiples and still not be an obvious investment opportunity.

When delinquency increases, banks generally need to increase provisions for expected credit losses. This can reduce earnings and, consequently, return on equity.

For this reason, investors should monitor not only reported earnings but also the quality and sustainability of those earnings.

4. Agricultural lending deserves special attention

Agriculture is particularly important to Banco do Brasil.

As of June 2026, the bank’s agricultural credit portfolio stood at approximately R$421.6 billion, with delinquency at around 6.27%.

Weather conditions, crop losses, commodity prices, producer indebtedness and debt restructuring can all affect the bank’s results.

Government measures aimed at restructuring rural debt are also important because they can influence credit recovery and future provisioning requirements.

Therefore, BBAS3’s performance depends not only on management decisions. Macroeconomic conditions and the health of Brazil’s agricultural sector also play an important role.

5. ROE is essential when evaluating banks

ROE, or return on equity, measures how efficiently a company generates earnings from shareholders’ equity.

For banks, it is one of the most important profitability indicators.

Banco do Brasil reported an ROE of approximately 8.3% in 2Q26.

Although this represents an improvement, it remains below the profitability levels achieved by some major private Brazilian banks.

That helps explain part of the valuation discount applied to BBAS3.

A bank trading at a low price-to-book ratio can be attractive when it generates strong returns on equity. However, when ROE is low, the market may be signaling that the bank’s equity base is not currently generating sufficient earnings.

6. P/E and P/B: Is BBAS3 cheap?

From a valuation perspective, BBAS3 stands out.

The price-to-earnings ratio (P/E) was around 9 times based on the figures considered in this analysis.

The price-to-book ratio (P/B) was close to 0.6 times.

A P/B below 1 means the market is valuing the shares below their accounting book value.

That can represent an opportunity, but the indicator should not be analyzed in isolation.

For banks, the combination of:

Low P/B + high ROE

can be particularly attractive.

On the other hand:

Low P/B + low ROE + high delinquency

requires much more caution.

Banco do Brasil currently looks closer to the second scenario.

7. Is EBITDA useful for BBAS3?

Not particularly.

This is important because investors sometimes use the same valuation methodology for companies in completely different industries.

EBITDA is widely used for industrial, retail and service companies. For banks, however, it is not one of the most useful indicators.

Interest income and interest expenses are fundamental components of a bank’s business model.

For BBAS3, investors should focus more on:

  • net income;
  • ROE;
  • net interest income;
  • credit costs;
  • provisions;
  • delinquency;
  • loan growth;
  • efficiency;
  • regulatory capital;
  • P/E;
  • P/B;
  • dividends and interest on equity.

8. What about operating cash flow?

Operating cash flow also needs to be interpreted differently for banks.

For traditional companies, operating cash flow can help investors determine whether accounting earnings are being converted into cash generation.

For banks, however, changes in deposits, lending and other financial operations can produce large cash-flow variations that do not have the same meaning as they do for an industrial or service company.

Therefore, for BBAS3, investors should give greater weight to asset quality, profitability, capital strength, delinquency and sustainable earnings generation.

9. Five factors to monitor before investing in BBAS3

A fundamental analysis of Banco do Brasil can be summarized into five major factors.

1. Earnings

The bank needs to demonstrate the ability to recover and grow earnings over time.

2. ROE

The bank should generate an adequate return on shareholders’ equity.

3. Delinquency

The evolution of delinquency is essential to understand credit risk.

4. Valuation

P/E and P/B can help determine whether the price paid for the stock appears reasonable relative to earnings and book value.

5. Macroeconomic conditions and agriculture

Interest rates, economic activity, employment, inflation, weather conditions and agricultural credit conditions can directly affect the bank’s results.

10. So, is BBAS3 cheap?

The answer depends on the investor’s assumptions and investment horizon.

Based on valuation multiples, BBAS3 appears discounted, particularly because its P/B ratio is close to 0.6.

However, there is a reason for that discount.

The bank is facing pressure on credit quality, especially in agricultural lending, while ROE remains below levels that would normally support a higher valuation multiple.

The second quarter of 2026 showed positive signs, including adjusted net income of R$3.9 billion and ROE of 8.3%, but delinquency remains one of the major obstacles to a stronger recovery in profitability.

Therefore, the key investment question is not simply:

“Is BBAS3 cheap?”

It is:

“Can Banco do Brasil recover profitability and reduce credit costs?”

If the answer is yes, the current valuation discount could represent an interesting opportunity.

If credit deterioration continues, the stock could remain cheap for a long period.

Conclusion

Banco do Brasil has characteristics that may appeal to fundamental investors: large scale, a strong position in the Brazilian financial system, a substantial equity base and relatively low valuation multiples.

At the same time, investors should not ignore the risks.

Credit quality is the main issue, particularly because of the bank’s significant exposure to agricultural lending. High delinquency can increase provisions and limit ROE recovery.

Therefore, BBAS3 can be viewed as a potentially interesting value stock, but one that requires close monitoring of credit quality and profitability indicators.

Future quarterly results will be important to determine whether the improvement seen in the second quarter of 2026 represents the beginning of a sustainable recovery or only a temporary improvement.

The official second-quarter 2026 financial information is available through Banco do Brasil’s Investor Relations website.

Fontes oficiais e referências

andrevilabrisa@gmail.com

Assessor de Investimentos, sócio da Octo Capital, credenciado ao banco BTG Pactual

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